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Opinião do autor: Este poema tem uma característica fundamental: a poesia lírica trovadoresca e as velhas cantigas sobre amores corteses. Na verdade, eu mudaria alguns trechos, pois observamos vários artifícios sonoros e uns metafóricos que indicam um poema toscamente pensado aos velhos moldes da poesia lírica, atendendo aos poetas cavaleirescos os quais normalmente se preocupavam com a destreza harmônica das palavras e de uma linha metafórica comum. 

LABIRINTO VIII (TORTURA)

 

Da minha senhora que sempre lhe servi rendido

sempre que mais a desejei em meu âmago florido

que nunca tão árdua tortura vivera atendido.

 

por mais que ofereça tão gentil e singelo olor

fragrância ânsia de bonança esperança

grande é o mal que minha senhora me quer estendido.

 

da minha senhora que sempre lhe servi rendido

tamanho é meu padecer ao amor meu não correspondido

se esse é o mal ao meu próprio desatino

esse mal nem eu posso deixar quanto mais despertino.

 

da mia senhor que eu servi

que nunca tão árdua tortura vivera atendido

sempr´e que mais ca mi amei

e se aquest´é querer mal,

est´é o que a mim avem

Igor Serpa

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LABIRINTO X ( A MENSAGEM)

no abismo inócuo só escuridão havia

um mundo não existia senão em corpos negros

e almas negras.

nas profundezas celestes,  dormiam estrelas.

Enquanto, desperto, era o silêncio reentrante.

além do próprio abismo, pairava o tempo negro,

que girava em torno, de imaginários pontos inexistenciais.

muito além, muito além das trevas,  havia irredutíveis elementos

que habitavam casas ilusórias com altas colunas transparentes.

E, nestas casas, haviam outras casas, que formavam uma colônia infinita

de casas.

cujos habitantes retornavam, retornavam cansados ao longo de uma jornada laboral

intensa: e persecutória.

e estes dominavam várias técnicas e ferramentas que contribuíam

com os afazeres diários dos quais consumiam a maior parte da subserviência colonial...Igor Serpa

OPINIÃO DO AUTOR:NESTE POEMA, OU MELHOR, NESTA ESCRITA, A MENSAGEM ESTÁ CENTRADA NO NÍVEL DESCRITIVO E TAMBÉM FIGURATIVO. A MENSAGEM ESTÁ IMPLÍCITA NA FORMA DA ESCRITA. A MENSAGEM INDICA UMA REFLEXÃO DA REALIDADE SOCIAL BRASILEIRA. O BRASIL É CONSTITUÍDO DE UNIVERSOS PARALELOS E UMA POPULAÇÃO QUE VIVE À MARGEM DOS ACONTECIMENTOS. ALÉM DISSO, EU PROCURO A IMAGEM ABSTRATA DO VAZIO no início desta escrita. 

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LABIRINTO XI (SILÊNCIO E DESESPERO)

SILÊNCIO

a minha morada é a dor que se perpetua

a minha jornada é estabelecer o olvidamento

 

DESESPERO

sou a voz da angústia e a tempestade do corpo

meus olhos saltam intranquilos enquanto imagens

emergem à consciência trágica que absorvo;

a penúltima sorte fora exaltada...

Opinião do autor
Na minha visão, o silêncio é a pior coisa do mundo. O desespero, por outro lado, parece surgir através do silêncio e demonstra uma reação imediata e muitas vezes libertadora e outras, ineficaz e corrosiva. O silêncio é o não reconhecimento. O silêncio é o vazio existencial. Quem se silencia pode demonstrar uma covardia que lhe é companheiro. Amiúde, quem vive escondido, procura ser esquecido. O silêncio pode andar junto com o esquecimento. Enfim, esta escrita revela algo sobre o silêncio e o desespero.  

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LABIRINTO VI (PALHAÇO)

O RISO É FILHO DA DOR

A DOR, IRMÃ DA ALEGRIA.

A DURA NOSTALGIA

DAQUELES DIAS PREVISTOS

 

PALHAÇOS MALVISTOS

E MELANCÓLICOS

USAM ADEREÇOS VÁRIOS

PARA USUFRUIR

DOS PRÓPRIOS CALVÁRIOS

 

PALHAÇOS MELÓDICOS

QUE ENTOAM UMA CANÇÃO

DESESPERADA

RECORDAM REVERBERADA

NAÇÃO

 

EIS O ECO DO ESPETÁCULO VAZIO

LUZES ILUMINAM ALGO SOMBRIO

PALHAÇO QUE RI E CHORA

 

EIS O DESGOSTO DE UM CONTO IRÔNICO

EIS AGOSTO, SETEMBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO

EIS O AMANHÃ DE UM ANSEIO ANTAGÔNICO

PALHAÇO QUE RI E CHORA

O riso:

aflora-lhe os lábios
A dor tortura-lhe a alma
Suporta com toda calma
Desgostos a qualque
r
hora
Quando que bem, vai embora
Vive num eterno drama
Pensa, sonha, sofre e a
ma
Palhaço que ri e chora.

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LABIRINTO III (DIA E NOITE)

O HOMEM NOTURNO DEIXA RASTROS

 

A MULHER DIURNA ABRAÇA-ME FORTE

UMA VEZ QUE SOMOS DOIS AMANTES EM DESESPERO.

 

DEPOIS DA LUZ SE SEGUE A NOITE ESCURA

E CHAMAS ARDENTES SE ALASTRAM REPENTINAMENTE

E O DIA QUE FORA EFÊMERO

AGORA SE COMPÕE DE TRISTE SORTE.

 

NASCE O SOL, E NÃO DURA MAIS QUE UM DIA

EM TRISTES SOMBRAS MORRE A FORMOSURA

 

ABRO A JANELA, VEJO O HORIZONTE, SINTO UMA VOZ

QUE SE PERPETUA EM SUAVE MELODIA

ATÉ QUE TACITURNA COTOVIA

ANUNCIA CORTEJO FÚNEBRE TENEBROSO

SOB OS ACORDES DE DIUTURNA SINFONIA.

 

EI-ME NAS GARRAS DE LÚGUBRE FANTASMA!

ATÉ QUANDO PERPETUARÁ ASSOMBROSO

CENÁRIO ONDE A FIRMEZA SOMENTE NA INCONSTÂNCIA

E NA INCONSTÂNCIA APELO SONORO DE TRISTE DISSONÂNCIA

Igor Serpa

OPINIÃO DO AUTOR

Neste poema, procuro fazer uma referência explícita a Gregório de Mattos. O dia representa presença e a noite, ausência. O dia é a possibilidade da vida e da paixão. A noite, para mim, algumas vezes revela um momento de ausência e vazio. O eu-lírico, portanto, retrata um lamento por intermédio da relação entre dia e noite, mas também entre luz e sombras. Procuro pelo lugar comum da poesia, visto que este poema encerra versos superados e imitativos, levando em conta a poesia metafórica do barroco e da poesia ultrarromântica do século XIX. Esta, por sua vez, sempre revelou uma linguagem meio intuitiva e onírica. Logo, a expressão "taciturna cotovia" expõe uma natureza opressiva que origina-se da mente humana. O sentimento é algo também extremamente artificial neste poema, assim como na poesia ultrarromântica.  

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